quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

certo e errado

Convivo bem, embora me causem até dor física profunda, com as pessoas que comem cocrete, gastam menas, querem que o mundo seje melhor. Até ajudo a espantar largartixa.
Disse que me causam dor física, pois certas pessoas, em certas circunstâncias, como num discurso, numa aula, não poderiam ter esses pobrema, principalmente num mundo onde há corretor ortográfico (exceto para os filhos de mac, como eu).
Que não compreendo, é que se convivo com os pobrema dos outros, por menas defensáveis que sejam, como pode um tropeço meu ativar em alguns uma verdadeira aula do vernáculo?
Faz poucos dias tive o prazer de participar de um workshop com o imortal Moacyr Scliar. Com a simplicidade que só os grandes mestres possuem, ele ouvia atentamente os textos dos participantes e fazia sugestões aqui e ali, quase que se desculpando por fazê-lo. Não deixou passar erros, lógico, afinal estávamos ali para aprender, mas a todos corrigiu com extrema candura, mais com tom de sugestão, sem a carga de recriminação do discurso de certos interlocutores.
Abandonando a capa da hipocrisia, lógico que afeta a imagem de alguém, como disse dependendo do desempenho que se propõe e da situação, ouvir pérolas como: rezistro, meia triste, meio dia e meio ou a falta contumaz de "Ss" entre outras.
A diferença é que considero um problema entre mim e o dono do discurso. Fico quieta. Abstenho-me de explanar sobre advérbios, concordância e ortografia, alugando os demais interlocutores para exibir meu conhecimento e minha momentânea carga de poder.
Sou partidária do livre arbítrio, incluído aí o direito de errar em paz (mais uma vez repito, dependendo do momento, e de quem erra). Acho que corretor ortográfico e conversa de botequim não combinam, tudo que é por demais perfeito soa chato.
Enfim, entre o erro de quem fala e a descortesia daquele que despudoradamente corrige, prefiro o erro do que fala com simplicidade, numa conversa. Odeio gente chata que corrige a colocação dos pronomes em mesa de bar, vendo novela, ou falando abobrinha sem compromisso.
Pior só aqueles que corrigem a pronuncia de palavras estrangeiras, com um tom misterioso, como se conhecessem um segredo.
Para não dizer que não corrijo ninguém, eu corrijo sim os chatos, mas em silêncio, só pelo prazer de perpetuar a ignorância e a chatura deles no convívio.

3 comentários:

Mateus Rolim: disse...

hhaha
mt bom o textoo
bjo

Pablo Paleologo disse...

Cris! Sou muito fã do seu blog!! To vindo aqui sempre ler e sempre adoro os posts! Esse, particularmente, achei interessantíssimo!! Como neto de escritor e filho de poetisa, não poderia ter me identificado mais com o texto! Hehehehe!

cristina capanema disse...

Mateus, mais uma vez obrigada pelo incentivo!
Pablo, puxa! quanta honra ter um fã como vc!
bj