Criticar a cultura minimalista trazida pela internet é fácil, difícil é não sucumbir a ela.
Ontem, conversando com amigos, nos divertiamos lembrando da fauna que habita essa moderna floresta virtual. Falávamos de tipos bizarros que entopem a caixa postal do próximo com imensos arquivos impessoais, lindas fotos do Aconcágua, conselhos para escapar de assaltos, métodos de enriquecer sem sair de casa, orações, enfim toda sorte de diálogo-monólogo que ajuda a esquecer a solidão .
Nos divertiamos pensando na falibilidade das pesquisas obtidas nas ditas enciclopédias abertas e nos sites de busca, onde se pode encontrar desde pérolas do conhecimento até gigantescas jazidas de imbecilidade.
Restou a impressão de que como meio de comunicação ninguém contesta essa maravilha tecnológica, mas como facilitadora das relações pessoais e multiplicadora de conhecimento a internet está longe de ser confiável.
Voltei a pensar no assunto mais tarde, sozinha com meus botões. Livre do medo de confessar pecadilhos acabei por assumir que consulto todas as enciclopédias abertas e os instrumentos de busca. Pior, quase sempre procurando uma versão simplificada de algum assunto, tentando dissimular minha ignorância.
Também já enviei dessas correspondências, que de tão repassadas ninguém sabe mais a origem, para as pessoas a quem deveria ter procurado pessoalmente. Confesso, sucumbi à tentação da saudação pré-fabricada. Até repassei dessas cantilenas bobas sobre o "dia do amigo" para quem, por convenção social, achei deveria contabilizar mais um contato.
Contudo há uma coisa que me constrangeria demais ter falado: Sou uma fofoqueira virtual.
Não me exponho por aí em orkut, também evito os sites de divulgação profissional. Mas não resisto buscar os dos outros.
Concordo, há pessoas que facilitam o voayerismo virtual, fornecem espontaneamente fotos, detalhes do cotidiano, demonstrando mesmo um prazer em se exibir.
Ontem, conversando com amigos, nos divertiamos lembrando da fauna que habita essa moderna floresta virtual. Falávamos de tipos bizarros que entopem a caixa postal do próximo com imensos arquivos impessoais, lindas fotos do Aconcágua, conselhos para escapar de assaltos, métodos de enriquecer sem sair de casa, orações, enfim toda sorte de diálogo-monólogo que ajuda a esquecer a solidão .
Nos divertiamos pensando na falibilidade das pesquisas obtidas nas ditas enciclopédias abertas e nos sites de busca, onde se pode encontrar desde pérolas do conhecimento até gigantescas jazidas de imbecilidade.
Restou a impressão de que como meio de comunicação ninguém contesta essa maravilha tecnológica, mas como facilitadora das relações pessoais e multiplicadora de conhecimento a internet está longe de ser confiável.
Voltei a pensar no assunto mais tarde, sozinha com meus botões. Livre do medo de confessar pecadilhos acabei por assumir que consulto todas as enciclopédias abertas e os instrumentos de busca. Pior, quase sempre procurando uma versão simplificada de algum assunto, tentando dissimular minha ignorância.
Também já enviei dessas correspondências, que de tão repassadas ninguém sabe mais a origem, para as pessoas a quem deveria ter procurado pessoalmente. Confesso, sucumbi à tentação da saudação pré-fabricada. Até repassei dessas cantilenas bobas sobre o "dia do amigo" para quem, por convenção social, achei deveria contabilizar mais um contato.
Contudo há uma coisa que me constrangeria demais ter falado: Sou uma fofoqueira virtual.
Não me exponho por aí em orkut, também evito os sites de divulgação profissional. Mas não resisto buscar os dos outros.
Concordo, há pessoas que facilitam o voayerismo virtual, fornecem espontaneamente fotos, detalhes do cotidiano, demonstrando mesmo um prazer em se exibir.
Mas será verdade aquilo que mostram? Apenas gostariam que fosse? Sei lá.
Outros possuem tal notoriedade, que sua imagem se propaga além de própria intenção, originando outro tipo de falsidade: a da exposição indevida, invasiva e dúvidosa apresentada por terceiros como leal.
Dos tipos virtuais os que realmente me fascinam são aqueles que permitem uma espécie de jogo, onde se vai juntando peças entre fotos, amigos e depoimentos para ao final nada sobrar, como um quebra-cabeças reverso, onde a peça final nunca encaixa.
Uma noite insone com meia dúzia de cliques e se pode encontrar enredo para uma novela.
Estranho como a rede simultaneamente acalenta fantasias e ajuda derrubá-las: num minuto vai-se de magnífico reitor até obscuro professor. Rolar de empresário bem-sucedido a falido tem curto caminho aqui: clique-clique.
Imagino que só eu descobri essa diversão desocupadamente perversa. Será possível que mais alguém a tenha?
Uma noite insone com meia dúzia de cliques e se pode encontrar enredo para uma novela.
Estranho como a rede simultaneamente acalenta fantasias e ajuda derrubá-las: num minuto vai-se de magnífico reitor até obscuro professor. Rolar de empresário bem-sucedido a falido tem curto caminho aqui: clique-clique.
Imagino que só eu descobri essa diversão desocupadamente perversa. Será possível que mais alguém a tenha?
Clique, clique.
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